Coachella: A vibe de um festival no deserto


Em 2013, lá para junho, comecei a planejar minhas férias com minha amiga viajante que sempre diz sim para as minhas loucuras e pensei: por que não Coachella dessa vez? Comecei a pesquisar em muitos blogs e sites e sempre faltava informação, mesmo o site deles sendo até que completo.

Compramos os ingressos antes mesmo das passagens. Você tem que arriscar, porque o line up oficial só sai lá pra março, o festival acontece em abril e os ingressos esgotam muito rápido, então em setembro já tínhamos os nossos. Vale lembrar que o festival acontece em dois finais de semana seguidos, mas na minha opinião é melhor sempre ir no primeiro, porque todas as surpresas acontecem no primeiro, o segundo é mais repeteco. Optamos pelo pacote de três dias para duas pessoas que já incluía ingressos + Hotel + Shuttle de ida e volta, Hotel – Festival. No site você pode procurar por HOTEL TRAVEL PACKAGES.

A segunda parte era saber como iríamos de L.A. para Indio (local onde ocorre o evento). Optamos por ir de ônibus, que tinha um preço bem em conta e é uma viagem curta, de mais ou menos três horas.



Contando os meses, depois semanas, então os dias… enfim, férias!

No dia 11 de Abril bem cedo embarcamos no nosso ônibus em Downton LA com destino a Palm Springs, cidade mais próxima de acordo com o site do Coachella e onde ficava nosso hotel. Tudo ia bem, até ouvirmos um barulho no ônibus. Todo mundo ficou se olhando sem saber o que tinha acontecido, mas nosso motorista decidiu seguir viagem. Na primeira parada descobrimos que o tal barulho era um “probleminha” no pneu. Eis o tamanho do “probleminha”!


E estávamos só no começo da viagem, faltavam umas duas horas pra chegar lá. Aproveitei o tempo para perguntar ao motorista se tínhamos mesmo que descer em Palm Springs, e ele só me repetia que não sabia o que eu queria fazer lá, já que não tinha nada, mas ainda assim confiei na informação do site.

Três longas horas se passaram, e finalmente concertaram o bendito ônibus. Fomos nos aproximando de Palm Springs, e o que eu via era só areia e estrada, nem uma alma, nem um carro, nem mesmo um telefone, já que o meu não tinha sinal, a coitada da Emma (a americana boa gente que nos ajudou) tentando achar o endereço certo do hotel e o motorista botando pressão pra seguir viagem, enfim, mandei seguir viagem. Confiei no que a Emma tinha nos dito.

Graças a Deus, uns 20 minutos depois, chegamos em Indio; pelo menos tinha um ponto de ônibus e um posto Texaco. Enquanto a Emma tentava chamar táxi para todos, apareceram mais dois anjos na nossa vida com uma pick up e um cooler cheio de água geladinha nos 40 graus daquele deserto, oferecendo carona. Não se assustem, não é pegadinha, não é sequestro, é comum mesmo. Já que a cidade é muito pequena e o Coachella é o maior evento que eles têm, os próprios moradores se organizam pra levar a galera pra onde quiserem, claro, cobram como táxi, mas praticamente lá não tem táxi, minha gente!

Elas cobraram US $50,00 pra levar a gente pro hotel, o que foi justo porque não era tão perto de onde o ônibus nos deixou, fora todas as dicas que ganhamos.

Enfim, chegamos!


De cara encontramos uma bancada com o logo do Coachella, onde pegaríamos nosso lindo kit e correríamos pro festival que já estava rolando. Vale lembrar que antes de sair você precisa fazer o cadastro da pulseira no site, porque sem esse cadastro ela simplesmente não funciona. Junto com essa caixa vem um cartão que dá direito aos transfers, que passam de hora em hora a partir das 10:00 da manhã e vão até duas horas após o término do festival, pra ninguém ficar perdido por lá. Então não se preocupe, porque achar o ônibus na saída também é fácil: cada hotel é separado por cor, tudo isso vem informado no seu kit, é só seguir a cor e entrar no ônibus.Nem consigo descrever a emoção de finalmente chegar. Filas organizadas marcavam a entrada. Catraca também não existe, você encosta sua pulseira em um totem que libera a entrada.O Apollo Club é um espaço incrível, grande mesmo. O Festival é composto por dois palcos principais e três tendas, umas delas eletrônicas, o que é ótimo para fugir do sol. Além disso, tem os estandes dos patrocinadores, como o da Sephora e do Spotify, onde rolam umas coisas legais. No do One Drive, por exemplo, era possível fazer uma foto com light painting. E que lugar eu escolhi como primeira parada? A roda gigante, claro! Não perco uma roda gigante de festival por nada, e essa é a maior roda itinerante do mundo, e a vista é incrível! Ela não é de graça como nos festivais aqui, custa US $8, mas pelo menos evita cinco horas de fila e a vista compensa.Li em muitos lugares que durante o dia fazia um calor insuportável e à noite um baita frio, frio mesmo, que tinha que levar blusa e tudo mais. Levamos casacos, mas o tempo estava ótimo, realmente é muito calor, mas as tendas e estandes salvam a vida, ar condicionado no último pra refrescar, além dos beer gardens. Aliás, não esqueçam o documento por nada, se não não rola nem uma cervejinha. Eles são muito rígidos quanto a isso, pra beber você tem que entrar no beer garden da Heineken, e para isso é preciso buscar uma pulseira, onde vão olhar o seu RG. Cada dia a cor da pulseira muda pra não correr o risco dos espertinhos passarem pro amiguinho. O beer garden não serve só pra beber, o legal é que lá é o espaço mais tranquilo pra comer também. Como a maioria da galera não tem 21, você pode entrar lá e comer sossegado na sombrinha e sem filas. Outra coisa que é legal, no deserto água é sagrado, a garrafa de água no festival custa em torno de US $2, mas pode ser recarregada, já que tem muitos bebedouros espalhados; se quiser pode levar o seu próprio cantil. E quanto ao frio, no primeiro dia não fez frio mesmo, tanto que achamos que era balela e no segundo dia fomos sem nada, à noite a temperatura caiu pra 10 graus e teve uma tempestade de areia pra completar, ou seja, não é balela, é frio mesmo!!

PRIMEIRO DIA A primeira impressão: telões de full hd e som perfeito! O primeiro show que vi mesmo por lá foi o da Ellie Goulding, que por sinal curti muito. Saí cantarolando pelo resto da viagem o final de Anything Could Happen. O primeiro dia foi meio morto, porque as bandas que mais queríamos ver eram mais cedo e perdemos por causa de todo o atraso do ônibus. O show do Zedd na tenda eletrônica foi incrível também, nunca tinha visto nada igual, a tenda era do tamanho de um galpão, gigantesco e com leds que iluminavam tudo conforme as batidas da música. Não fique preocupado em querer ver todos os shows, porque isso é realmente uma tarefa impossível, o festival disponibiliza um aplicativo que ajuda nesse filtro e ainda te avisa dos shows. Cada show tem mais ou menos uns 10 minutos de intervalo entre um e outro e dura no máximo uma hora, deixando as últimas bandas com mais tempo e melhor parte, sem atrasos!


SEGUNDO DIA O segundo dia começou cedo e prometia ser o melhor. Meio dia nós já estávamos lá para ver o show do Saints of Valory, uma banda que eu descobri um pouco antes do line up sair e que vale um crédito. Pausa pro nosso almoço de cada dia, e o que esperar do Coachella? Tudo que você pode imaginar, desde as frituras no máximo da gordura americana, até comida chinesa, vegetariana e as águas aromatizadas, minhas favoritas. Lá pela tarde começou mesmo nossa maratona de shows, passando pelo White Lies, City and Colour, Kid Cudi, Sleigh Bells, Cage the Elephant, MGMT, Capital Cities, até chegar nos principais da noite, Lorde, Foster the People, Queens of the Stone Age e Pharrel Williams, que surpreendeu todo mundo levando pro palco Gwen Stefani, Nelly, Snoppy Dog e Puffy Dady (ou seria Didy, ou P. Didy). A parte chata mesmo foi a tempestade de areia, que fez com o que o som ficasse muito ruim e os telões ficassem baixos.



TERCEIRO E ÚLTIMO DIA Último dia do festival, mas ainda tínhamos muitos shows pra ver. O show que surpreendeu e a música que mais me lembra o Coachella é do Naked and Famous. Não sei se foi o clima, o último pôr do sol, se tudo isso ajudou, mas ouvir Young Blood até hoje me arrepia. Depois deles só Calvin Harris encerrando com Summer, só me fez querer ficar ali ainda mais e guardar esses momentos pra sempre. No finalzinho da noite teve Lana Del Rey, vimos um pouquinho de Motorhead, John Newman, outro que me surpreendeu, e terminamos com Arcade Fire.

A única coisa que eu posso dizer é VÁ AO COACHELLA! A sensação é realmente inexplicável e única, as pessoas são simpáticas, o clima é incrível, o preço compensa e muito, e o pôr do sol então, com certeza o mais bonito que você vai ver em toda sua vida.


GASTOS: Pacote: US$ 1.985,00 ($992,50 para cada uma) Passagem de ônibus – Grey Hound: US$ 19,00 Passagem de avião de Palm Springs para San Francisco – Alaska Airlines: US $119,00 TOTAL: $1130,00


Pra ajudar no aquecimento, criamos uma playlist no Spotify que passa por todos os grandes festivais, desde o Coachella até o Lolla. Clica aqui pra conferir.

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