NY: Um mês estudando artes na Big Apple


No começo do ano passado, prestes a fazer 30 anos, me bateu aquela crise de existência e decidi que era hora de ficar um tempinho sozinha no exterior. É uma coisa que eu sempre tive muita vontade, mas o medo de ficar sozinha numa cidade que nem fala minha língua sempre foi muito maior. Comecei a pesquisar por cursos em Nova York, uma cidade que eu já conheço bem, adoro e com certeza seria a cidade que eu moraria. O único obstáculo era meu emprego, teria que fazer o curso nas férias, porque estamos em crise né Brasil, não da pra fingir demência e sair pedindo demissão por ai.

Já que eu estava decidia a ir, porque não realizar um sonho antigo e estudar na SVA (School of Visual Arts)? Procurei muito até encontrar um curso com duração de um mês e que parecia bem legal, o CDFNY, que nada mais é que um curso de cultura, design e artes plásticas. Como sou formada em Publicidade, nunca tive aulas de desenho na faculdade e achei uma boa abrir um pouco a mente e encarar, mesmo não tendo talento nenhum talento para desenhar a mão.


Passei por todo o perrengue sozinha, entrei em contato com a escola e fui seguindo todos os passos para tirar meu visto de estudante, mesmo o curso sendo só de um mês, o visto é necessário por causa da carga horária, as aulas começam as 09:00 e vão até as 16:00 todos os dias. Tenha paciência, esse processo é mesmo demorado, são muitos papéis para enviar. Ansiosa que sou, por muitas vezes achei que não conseguiria a tempo, embarquei no dia 12 de julho, e meu visto só foi emitido de fato lá pelo dia 20 de junho.

O curso custa $2400 e também inclui algumas saídas ao cinema, peças da Broadway e museus de graça. Oferecem residência dentro da faculdade, por $1150, com ajuda de custo de $100, para ser usado nos restaurantes ao redor da faculdade, onde o cartão é aceito. Como eu não sou mais adolescente e tenho minhas manias, não me empolgou muito a ideia de dividir dormitório e ter horários pra chegar, achei melhor encontrar algo só pra mim, e nessa busca encontrei o Hotel 99, que funciona mais ou menos como um flat. Eles só aceitam reservas acima de 30 dias, e o preço era o mesmo da residência na faculdade, além de ficar no Upper West Side, a duas quadras do metrô. Optei pelo banheiro compartilhado para dar uma economizada. Quando a gente pensa em banheiro compartilhado logo vem a mente uma fila de pessoas com suas toalhas e tocas de banho esperando uma vaga no banheiro, mas posso afirmar que não tive problemas, o banheiro era bem limpo e não tinha problemas de congestionamento.

O CURSO

Depois de um vôo cancelado, cheguei em NY no domingo a noite, meio atrapalhada, primeira vez viajando sozinha, com as aulas começando na segunda cedinho, além de uma lista enorme de materiais para comprar, pouco perdida né? Acordei cedinho, passei no Starbucks mais próximo, que era na esquina de casa, e segui para o café da manhã de recepção no SVA Theater. Me senti na escola de novo, ali parada, vendo algum rosto amigável com quem eu pudesse conversar, até que comecei a me tocar que todos ali não passavam dos 24 anos e eu com 29. Bateu mais uma vez aquela crise dos 30, mas tudo bem né, eu tinha que encarar, afinal meu propósito era mesmo um curso básico, só não sabia que era pré faculdade.

Após a recepção, recebemos nossa grade semanal. O curso tem duração de 3 semanas, e cada semana tem um tema a ser estudado. O primeiro tema é Brainstorm, e foi meu favorito. Fizemos alguns exercícios livres, como desenhar alguns tipos de sons e sensações. Eu confesso que não sei desenhar nada, me bateu até um leve pânico lá pelo terceiro dia, já que meus colegas de classe eram, em sua maioria, asiáticos prodígio e eu com meus desenhos de pré-escola, até que um dia conversando com a professora Judith Wilde, ela me tranquilizou, disse pra eu abrir a mente e desenhar como eu sabia, e não é que eu até levo um jeito pra estampas? Enquanto os outros faziam formas perfeitas, eu fazia estampas e estava feliz com isso.

Lembra a lista enorme de materiais que eu falei? Resolvi esperar e ver o que eles pediam em cada aula pra comprar, algumas eu dava meus truques, como por exemplo o dia que eu tive que comprar um único pincel de $50,00 pra uma aula, não da né gente? Onde eu vou usar isso aqui? Não comprei e o professor me emprestou o dele. Outras coisas eu dividia com uma amiga chilena que era de outra sala, a ordem das aulas dela era diferente da minha, então conseguimos rachar alguns materiais. Tudo tem seu jeitinho de brasileiro, por mais que os professores americanos odeiem isso e achem um absurdo a gente ser tranquilo.

A segunda semana era a que eu mais temia, Artes Plásticas, o que se resumia a desenho livre. Todo dia tínhamos duas pessoas posando pra gente, de manhã uma mulher, a tarde um homem, e assim vamos aprendendo as técnicas de desenho, como pintar com aquarela, pastéis, nanquim e por ai vai. Tive muita dificuldade pra desenhar o corpo humano, ainda mais tão rápido, as vezes tínhamos 20 min, outras 10 min, e outras 40 min, dependendo da pose e da orientação do professor, mas eu sobrevivi, morrendo de vergonha dos meus desenhos.





A última semana foi bem decepcionante, não só pra mim, mas as meninas com quem fiz amizade também ficaram bem decepcionadas. De acordo com a grade teríamos Pictogramas, no laboratório de informática, que era finalmente o que eu dominava, minha hora de provar que eu também sabia alguma coisa. Mas pra nossa surpresa nada foi ensinado, deixaram dois professores que mal sabiam ligar o computador, e isso é serio, eles não sabiam, nos darem tarefas do tipo, fazer uma montagem de uma mulher com flores, usando as técnicas que você quisesse, a mão, direto no computador, misturando os dois, o que quisesse. Como eu trabalho com o computador, eu fazia esse tipo de exercício em 2 horas, e minhas amigas também, o que deixavam os professores meio chocados e uma coisa que me deixou bastante chateada, por termos habilidade com o computador, pra eles isso era visto como preguiça, porque não tentávamos a mão, escaneando como os outros alunos, mas nós não estávamos aprendendo nada. Eu cheguei até a escrever um e-mail reclamando depois que cheguei aqui, porque foi uma semana bem inútil pra tantos bolares gastos.

No geral, a experiência foi valida, atingi meu objetivo de morar, pelo menos por mês, na cidade que eu mais amo, vivendo como uma local, fazendo vários programas legais que só o verão de NY te proporciona, aprendi técnicas novas dentro da minha profissão e ainda fiz ótimas amizades, mas que foi caro, foi!


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